22 Dezembro, 2025 0 comment

Destino 2026: como as Human-centric skills, as Octopus organizations e as Strong brands vão fazer a diferença

Entramos em 2026 perante uma mudança estrutural no que significa liderar, inovar e criar valor. A tecnologia continua a acelerar, mas o que realmente distingue as organizações que crescem é a capacidade de combinar três forças essenciais: competências humanas fortes, modelos organizacionais flexíveis e marcas relevantes e confiáveis. Estes três eixos, juntos, definem o destino das organizações que pretendem prosperar no novo ano.

 

Human-centric


A Harvard Business Review descreve as octopus organizations como organismos vivos: estruturas flexíveis, com equipas autónomas, inteligência distribuída e elevada capacidade de adaptação. Tal como um polvo, estas organizações funcionam com múltiplos “braços” que tomam decisões rápidas, coordenados por um propósito comum. São empresas capazes de aprender continuamente, ajustar estratégias em tempo real e inovar sem depender de hierarquias lentas. Num contexto de mudança constante, este modelo não é apenas desejável, é necessário e fundamental.


Mas uma estrutura flexível só cria valor quando é alimentada por competências humanas sólidas. O World Economic Forum sublinha, no relatório New Economy Skills, que as competências críticas para o futuro são cada vez mais humanas: criatividade, pensamento crítico, colaboração, empatia, resiliência e aprendizagem contínua. São estas capacidades que permitem interpretar informação complexa, resolver problemas inéditos e liderar equipas em ambientes de incerteza. Curiosamente, muitas destas competências são hoje escassas, frágeis e exigem treino e desenvolvimento. A resiliência, por exemplo, ainda não recuperou dos níveis pré-pandemia; a criatividade e a curiosidade estão abaixo do necessário para sustentar a inovação. O desenvolvimento humano torna-se, assim, o verdadeiro motor da transformação.

 

Tabela: Importância das human-centric skills por região

Tabela: Importância das human-centric skills por região


Temos ainda o terceiro pilar:
a força da marca. O World Economic Forum reforça que, num mundo saturado de tecnologia e informação, uma marca forte é mais importante do que nunca. Marcas que comunicam propósito, ética e consistência criam confiança, um ativo crítico quando clientes, talento e parceiros procuram estabilidade e clareza. Uma marca forte é mais do que marketing: é o reflexo da cultura interna, das decisões de liderança e da forma como a organização cria impacto no mundo. Em tempos de incerteza, uma marca confiável funciona como âncora e como um escudo reputacional.


A convergência destes três elementos torna-se evidente:
as human-centric skills são o motor, pois permitem que as pessoas pensem, criem e liderem com inteligência emocional e adaptabilidade. As octopus organizations são o modelo, oferecendo a estrutura flexível necessária para responder com rapidez e autonomia. E as strong brands são a identidade, protegendo a organização, diferenciando-a, atraindo talento e reforçando a confiança num mercado competitivo.


2026 será o ano em que estas três forças deixarão de ser tendências isoladas e passarão a formar uma estratégia integrada. As organizações que combinarem cultura humana, estrutura adaptativa e marca autêntica irão liderar a próxima etapa da economia. As restantes continuarão a reagir à mudança, em vez de a antecipar. O futuro não dependerá apenas da tecnologia que adotamos, mas da capacidade humana que desenvolvemos, na integração do high tech com o human touch.

 

Artigo de Sérgio Almeida, em parceria com o Semanário Vida Económica.

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