23 Maio, 2026 0 comment

Líder Tóxico ou Otimista? O impacto nas organizações

Vivemos tempos difíceis, mas talvez o maior risco para as organizações não seja a instabilidade económica, a inteligência artificial ou a geopolítica. Talvez seja a liderança. Em contextos de pressão, os líderes tendem a revelar aquilo que realmente são: uns geram confiança, outros espalham medo, uns mobilizam energia, outros contaminam equipas, uns constroem futuro, outros destroem cultura. Hoje, mais do que nunca, existe uma linha clara entre dois tipos de liderança: o líder otimista e o líder tóxico. A questão que se coloca: de que lado queremos estar? A escolha parece óbvia, contudo a realidade mostra que muitas organizações continuam a premiar precisamente os comportamentos errados.

 

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Imagem: hubspot


O problema silencioso das organizações

Para muitos o otimismo é ingenuidade. Para outros talvez seja uma capacidade estratégica de enfrentar a realidade sem perder visão de futuro. Eu acredito na segunda versão, mas é certo que em muitas empresas acontece exatamente o contrário, a pressão transforma-se em microgestão, controlo excessivo, comunicação agressiva, medo constante e uma cultura de culpa e de problemas. E os dados sobre liderança tóxica são alarmantes. Estudos recentes mostram que a liderança tóxica está diretamente associada ao burnout dos colaboradores, aumento de turnover, perda de motivação, quebra de inovação e elevado stress psicológico, estando mais de 60% dos resultados negativos no trabalho associados a comportamentos tóxicos no ambiente organizacional.

 

O líder tóxico nem sempre grita

Existe um erro comum quando achamos que a liderança tóxica é apenas agressividade extrema, nem sempre. Muitas vezes manifesta-se de forma subtil através de comportamentos como desvalorizar as pessoas, controlar tudo, nunca reconhecer mérito, criar insegurança, alimentar o medo, ou usar pressão constante como método de gestão. Mas sem dúvida que o maior perigo é que muitas organizações ainda confundem estes líderes com líderes “fortes”.

A Harvard Business Review alertou precisamente para isto num excelente artigo de Deepa Purushothaman and Lisen Stromberg publicado em 2022 e que alertava para as empresas que continuam a recompensar “toxic rock stars” porque geram resultados de curto prazo, enquanto destroem cultura no longo prazo.

 

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Imagem: kapable


Nesta bipolaridade entre otimismo e toxicidade, há um ponto importante a ter em atenção: o líder otimista não ignora problemas, não é aquele que diz “vai ficar tudo bem” apenas porque sim, a isto até poderíamos chamar de otimismo toxico. O verdadeiro líder otimista reconhece as dificuldades, mas enfrenta a realidade, mantendo a esperança e a direção. A McKinsey chama-lhe “bounded optimism” otimismo ancorado na realidade, em que o líder transmite calma, cria confiança, mantém a visão ajudando as pessoas a acreditar que conseguem ultrapassar os desafios, porque em momentos de incerteza as equipas não procuram perfeição, procuram estabilidade emocional.

 

O impacto cultural é gigantesco

No Reino Unido, perderam-se 40,1 milhões de dias de trabalho devido a problemas de saúde relacionados com o trabalho e lesões não fatais no local de trabalho no ano fiscal de 2024/25. O stress, a depressão ou a ansiedade foram responsáveis ​​por 22,1 milhões desses dias. A Sociedade para a Gestão de Recursos Humanos (SHRM) refere que 40% dos colaboradores identificam a má liderança como a principal fonte de stress no trabalho, à frente da carga de trabalho e da segurança no emprego.

Este tipo de stress prejudica diretamente a produtividade. Outros estudos sobre a força de trabalho mostram que 80% dos colaboradores afirmam que o stress reduz a sua produtividade e 71% referem faltar ao trabalho por causa disso. A diferença entre liderança positiva e tóxica não é apenas emocional, é também estratégica, tendo um impacto real e efetivo na atividade.

As organizações dominadas por toxicidade apresentam menor produtividade, maior absentismo, menor inovação, mais conflitos internos e mais desgaste psicológico. Por outro lado, culturas positivas aumentam a segurança psicológica, promovem a colaboração, aceleram a aprendizagem e reforçam o compromisso. As pessoas não dão o melhor de si em ambientes onde sobrevivem, dão o melhor de si em ambientes onde confiam.

 

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Imagem: kapable


Conclusão:

A cultura começa na liderança! No final, todas as organizações refletem a energia das suas lideranças: líderes tóxicos criam culturas tóxicas, líderes positivos criam organizações resilientes e otimistas, e num mundo onde a pressão continuará a aumentar, talvez a verdadeira vantagem competitiva seja de termos líderes que ajudam as pessoas a crescer, em vez de apenas sobreviver. No final, a escolha é sua: quer liderar através do medo…ou através da confiança?

 

Artigo de Sérgio Almeida, em parceria com o Semanário Vida Económica.

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