13 Outubro, 2025 0 comment

Produtividade e Estratégias Empresariais para Navegar a Nova Economia Global

O cenário económico global de 2025 têm apresentado elevados níveis de incerteza, marcado por desaceleração económica, tensões geopolíticas, inflação persistente e mudanças estruturais nos mercados. Segundo o World Economic Forum – Chief Economists’ Outlook, 72% dos economistas-chefes antecipam um enfraquecimento da economia mundial  já para o próximo ano, enquanto 94% preveem maior fragmentação do comércio global. Para as empresas, estes fatores representam desafios significativos, mas também oportunidades estratégicas para fortalecer produtividade, inovação e resiliência.

 

Imagem: squarespace

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Entre as prioridades para 2025, destacam-se: reestruturação organizacional, fortalecimento da cultura e propósito, integração ética da inteligência artificial (IA) e automação de processos. De acordo com o relatório, as principais ações em IA nos próximos 6 a 12 meses incluem colaborar com departamentos técnicos, mapear impactos da IA sobre pessoas e funções, redesenhar processos e funções, desenvolver programas de upskilling e reskilling, e contratar talento especializado. As oportunidades mais citadas incluem a automação de tarefas repetitivas, desenvolvimento de carreira e integração da IA nos fluxos de trabalho, elevando produtividade e qualidade do trabalho.

 

growth drivers

 

A função “RH”, pessoas e gestão do talento, assumem hoje um papel central na competitividade organizacional. Os Chief People Officers (CPOs) consultados pelo WEF destacam que a área de pessoas já não é apenas operacional: é estratégica. Ela cocria a direção da empresa, influencia decisões de negócio e garante que a organização esteja preparada para responder rapidamente às mudanças de mercado. Este novo papel evidencia que produtividade e sucesso empresarial dependem tanto da gestão de pessoas quanto da tecnologia.


No entanto, os CPOs também destacam riscos críticos: colaboradores podem não se adaptar suficientemente rápido às novas tecnologias, haver estagnação de carreira ou perda de competências devido à dependência excessiva da IA, além de desafios éticos e de privacidade de dados.
Estes riscos reforçam a necessidade de uma implementação centrada nas pessoas, combinando tecnologia com desenvolvimento contínuo de habilidades, acompanhamento próximo e uma cultura organizacional sólida.


Para liderar com eficácia neste contexto de disrupção,
os gestores identificam competências-chave: business acumen, pensamento estratégico, influência sobre stakeholders, fluência digital e literacia de dados. Segundo o relatório, 100% dos CPOs apontam business acumen e pensamento estratégico como essenciais, enquanto quase 90% priorizam o desenvolvimento em competências digitais. Líderes que combinam visão estratégica com implementação ética de IA conseguem transformar desafios em oportunidades de crescimento sustentável, fortalecendo competitividade e resiliência.

 

AI impacts

 

Estratégias Empresariais Recomendadas:

  • Agilidade Organizacional: Estruturas flexíveis, equipas multifuncionais e capacidade de adaptação rápida a mudanças de mercado e tecnologia.
  • Inovação e Transformação Digital: Implementação ética de IA e automação, equilibrando eficiência e human touch.
  • Desenvolvimento Contínuo de Talento: Programas de reskilling, upskilling e aquisição de competências digitais para manter a produtividade e o engajement.
  • Fortalecimento de Cultura e Propósito: Alinhamento de valores, promoção de liderança, resiliência e incentivo à colaboração e inovação.
  • Gestão de Riscos e Resiliência: Monitorização de indicadores económicos e geopolíticos, garantindo tomada de decisões sustentadas e adaptabilidade.


Em conclusão, prosperar em 2025 e além exige uma liderança empresarial integrada, que combine estratégia, tecnologia e talento. As organizações que equilibram tecnologia e humanidade, fortalecem a cultura corporativa, desenvolvem competências digitais e promovem compromisso e propósito, estarão melhor preparadas para enfrentar a incerteza, inovar e crescer de forma sustentável.


A produtividade deixa de ser apenas uma métrica operacional e passa a refletir a capacidade da empresa de liderar com propósito, integrar tecnologia de forma ética e maximizar o potencial humano. Neste novo paradigma, empresas resilientes, ágeis e centradas nas pessoas serão as que criarão vantagem competitiva duradoura no mercado global.

 

Artigo de Sérgio Almeida, em parceria com o Semanário Vida Económica.

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