14 Maio, 2026 0 comment

Reinventar o Negócio: crescimento que nasce de inovação

Há uma ideia confortável que muitas organizações ainda mantêm: crescer é uma consequência natural do que já fazem bem. Mas os dados mostram exatamente o contrário. Segundo a PwC, estamos a entrar numa década de “value in motion”, onde cerca de 7,1 mil milhões de dólares em receitas serão redistribuídos à medida que novos modelos de negócio substituem os atuais. Isto significa uma coisa simples: o crescimento não vai acontecer dentro do modelo atual. Vai acontecer fora dele.

 

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Imagem: monkeybusinessimages


Crescimento implica reinvenção

Durante décadas, crescer significava escalar, ter mais clientes, mais mercados, mais eficiência. Hoje, crescer significa algo diferente, nomeadamente reposicionar o negócio para onde o valor está a migrar. E esse movimento está a ser impulsionado por duas forças estruturais:

 

  1. Inteligência Artificial e tecnologias avançadas: com potencial para aumentar a economia global em cerca de 15% até 2035;

  2. Alterações climáticas: que podem reduzir o crescimento global em cerca de 7% se não forem geridas estrategicamente. Ou seja, o mesmo contexto que cria oportunidades, cria também risco, o que levas as empresas a terem de decidir em que lado querem estar. A evidência é clara: quem inovar cresce, quem não inovar estagna.

O relatório State of Innovation 2025 reforça esta realidade com dados concretos: as empresas inovadoras crescem em média 7% nas vendas, empresas não inovadoras praticamente não crescem (0,4%). Mais ainda, as chamadas frontier firms (as que lideram inovação) apresentam crescimentos ainda superiores e maior intenção de investimento, o que nos faz pensar se esta situação é coincidência ou estratégia?

 

PWC


O valor está a mover-se

No seu estudo, a PwC não deixa dúvidas, estamos a assistir a uma reconfiguração de indústrias e negócios, onde as fronteiras tradicionais estão a desaparecer, os setores estão a fundir-se, e o valor está a migrar para novas “zonas de crescimento”. Empresas que antes competiam apenas no seu setor agora competem em ecossistemas mais amplos, com grande foco na mobilidade, energia, saúde, tecnologia, sustentabilidade.

Neste contexto, a pergunta deixou de ser “Como posso crescer no meu mercado?” e passou a ser “Onde está o novo mercado que devo competir?”. Claro que nem todas as empresas conseguem dar o salto, cometendo alguns erros, por exemplo: Otimizar em vez de reinventar, onde melhorar o que existe já não chega, e as empresas que se focam apenas em eficiência pode tornar-se mais rápidas… mas estarem a seguir numa direção errada; Tratar inovação como projeto, e não como estratégia. A inovação dever ser mais do que um laboratório, é uma decisão estratégica central, muitas das organizações que crescem integram a inovação no seu modelo de negócio, cultura e liderança; Subestimar a velocidade da mudança. A transformação não é linear, as empresas que reagem tarde enfrentam um problema crítico: quando decidem mudar, o mercado já mudou novamente.

 

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O papel da liderança: criar crescimento onde ele ainda não existe

Reinventar o negócio exige um novo tipo de liderança, não centrada em controlo, mas na visão, não focada apenas no presente, mas no que está a emergir e a acontecer. Os líderes que estão a ganhar vantagem baseiam a sua atuação em quatro vetores fundamentais:

 

  • identificam cedo para onde o valor está a migrar;

  • investem antes de ser confortável;

  • aceitam que parte do negócio atual terá de desaparecer;

  • criam culturas que incentivam experimentação.

São líderes que compreendem que não é possível crescer mantendo tudo igual, e que sabem que dos maiores erros é romantizar a inovação, esta não é criatividade espontânea, é antes de tudo disciplina, estratégia e visão, é a capacidade de transformar ideias em valor. A próxima década não será definida pelas empresas mais eficientes, mas sim por aquelas que souberem reinventar-se, está no espaço entre aquilo que a empresa é hoje e aquilo que tem coragem de se tornar.

 

Artigo de Sérgio Almeida, em parceria com o Semanário Vida Económica.

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